terça-feira, 8 de junho de 2010

Falta de cadeirinha dá multa a partir de amanhã

Regra vale para carros de passeio; infração vai custar R$ 191 ao motorista, que será penalizado com sete pontos na habilitação

Publicado em 08/06/2010

De Pollianna Milan - GAZETA DO POVO
A partir de amanhã, crianças de zero a 7 anos e meio deverão obrigatoriamente ser transportadas em veículos de passeio com a cadeirinha de segurança. Os motoristas que infringirem a lei serão multados em R$ 191,54 e ganharão sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação. A resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) é de maio de 2008 e vale a partir desta quarta-feira somente para os carros de passeio – não estão incluídos táxis, veículos de aluguel, transporte coletivo e escolar e veículos com mais de 3,5 toneladas.

Hoje, a Diretoria de Trânsito da Urbanização de Curitiba (Urbs) e o Batalhão de Trânsito (BPTran) farão blitzes educativas perto das escolas para orientar os pais sobre o uso obrigatório do equipamento de segurança – a cadeirinha muda conforme a idade da criança (veja nesta página). A partir de amanhã, quem estiver sem a cadeirinha será automaticamente multado. “Se um policial ou agente de trânsito vir uma criança solta ou sentada no meio dos bancos, não será necessário nem parar o veículo. A multa será aplicada sem a abordagem”, explica o gestor de trânsito da Urbs e Diretran, Adão José Lara Vieira. Quando houver a abordagem, o policial vai observar as condições da criança no veículo. Um bebê pequeno precisa estar no bebê conforto, por exemplo, e uma criança maior deve estar na cadeirinha adaptada à sua idade.

Como não é obrigatório portar documentos de identidade dentro da cidade, pode acontecer que um policial tenha de perguntar a idade da criança para o próprio motorista. “Ele pode até mentir, mas o tamanho e idade da criança são perceptíveis. Uma idade muito diferente não irá passar”, explica Vieira. O soldado Gerson Teixeira, do BPTran, lembra que, antes da multa, a ideia da resolução é justamente primar pela segurança das crianças, por isso os pais que mentirem a idade podem colocar em risco a vida dos próprios filhos, já que estarão transportando-os de maneira errada.

Apesar da resolução, os táxis ficaram de fora da obrigatoriedade e, mesmo que o cliente queira a cadeirinha, será difícil conseguir um carro com o equipamento. Quatro empresas de radiotáxi consultadas ontem disseram não ter a cadeirinha para crianças; uma delas nem sabia da lei. Como todos os outros veículos ficaram de fora da resolução, o Ministério Público Federal quer que o Contran explique até o dia 20 deste mês por que excluiu peruas e vans escolares da obrigatoriedade.

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O ideal deveria não só a obrigatoriedade das cadeirinhas para as crianças, mas o uso do cinto de segurança para todos os ocupantes dos carros.

Para quem buscar resistência em seguir esta norma de segurança, deixo esta reportagem do programa Fantástico -TV GLOBO - de 29/09/2002:

O menino que caiu da Ponte Rio-Niterói


O menino que caiu da Ponte Rio-Niterói volta ao local do acidente e reencontra os marinheiros que ajudaram no seu resgate.

Tinha tudo pra ser um fim de semana tranqüilo e bonito. Sábado retrasado bem cedinho, Alex Sandro - o menino que caiu da Ponte Rio-Niterói - ia para a Região dos Lagos com avós e tios. Eram seis pessoas numa van.

"Tô indo na pista do canto tranqüilamente conversando com o pessoal tranqüilamente, suave, que não tinha pressa pra chegar lá”, lembra Rogério da Costa Nascimento, tio de Alex.

De repente um carro crescia rapidamente no retrovisor da van. "Quando eu olhei no retrovisor ele já tava em cima e quando fui ver só senti a pancada", continua o tio. “Quando ele bateu na traseira do carro, o carro girou. Conforme o carro girou o carro bateu de frente na mureta da ponte. Depois é que rodou de novo e estourou o pneu da frente. Depois ele rodou de novo e bateu com a traseira. Aí rodou e parou”.

"Na batida, quebrou o vidro de trás. E enquanto isso o menino já estava no mar, já tinha caído. Eu pensei que ele estivesse deitado no banco", diz Maria da Graça Marques, tia-avó.

"Procurei debaixo do banco pra ver se ele estava. Não vi, entrei em pânico”, conta o tio. “Procurei na pista, procurei de baixo do carro e nada. Daqui a pouco gritaram, 'olha, ele tá lá na água!'", lembra a tia.

No momento que a van bateu de traseira na mureta, Alex foi jogado pela janela de trás. Ele caiu no mar de uma altura de 40 metros. O equivalente a um prédio de 11 andares. Depois da batida, dos ferimentos e da queda, o anjo da guarda do menino ainda tinha outro desafio.

“Eu não sei nadar. Engoli água pra caramba", recorda Alex Sandro Nascimento. A correnteza levou Alex em direção a uma base da marinha perto de onde caiu.

"O barulho da batida eu ouvi, mas eu não vi ele cair. Mas tinha muitos curiosos olhando pra baixo. Aí eu vim até aqui e perguntei o que houve. Aí foi que responderam que tinha um garoto na água, aí bateu desespero”, explica o marinheiro Darcy.

Enquanto isso Alex Sandro conseguia se agarrar neste submarino. "Quando cheguei no convés do submarino, como se trata de acidente assim... Pensei que até que tinha sido uma pessoa, mas quando eu vi que era uma criança foi aquela primeira reação, aquele baque. Tirei a camisa, mergulhei logo na água e fui logo dando os primeiros socorros a ele", conta o marinheiro Ferreira.

Alex voltou ao lugar do acidente. Aqui ele sentiu que a própria queda não foi tão simples assim.
Se aconteceu uma vez, então não há o que se discutir. Cinto para todos, ou esperar que um ser humano, adulto ou infantil, tenha a queda anemizada pela força da natureza após atravessar o vidro de seu carro. Só restará saber se o asfalto, de uma rua ou estrada, seria tão macio quanto as águas da Baía da Guanabara.

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